sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Filosofia da Arte Moderna por Herbert Read

   Galera! Fica aí a dica:

Título original: The Philosophy of Modern Art
Tradução de Maria José Miranda
1ª Edição: Londres, 1952
Editora Ulisseia

Daqui, talvez, a justificação utilitária da leitura da presente obra. Isto é: na medida em que alguns problemas com que a arte moderna se confrontou (da ordem dos factores económicos e movimentos sociais; consequências das primeira e segunda Guerras Mundiais; o protectorado do Estado Mecenas e/ou a ausência dessa circunstância; a filosofia enquanto motivadora e destinatária da actividade criativa e artística; o problema da liberdade do artista perante o significado e natureza da existência; as correlações directas e indirectas entre as tipologias psicossomáticas e as correntes teórico-estéticas; etc.) são exactamente os mesmos e assumem uma correspondência imediata com os da arte contemporânea, embora esta se veja eivada de novos problemas derivados da variedade de suportes e veículos, como na sua estrita funcionalidade, utilidade e recursos técnicos, é igualmente premente e encontra-se em "elevada" actualidade um debate colectivo que insira a arte (pintura, escultura, literatura, fotografia, cinema, etc.) no discurso filosófico, não só para definição e enunciação das diferentes formas de beleza, ou de como ela se processa e manifesta, assuntos em que é prolífera a estética, nem pela confrontação e efeitos dos recursos técnicos disponíveis, campo convencional da crítica, mas sim no sentido de compreender dialecticamente como a evolução do pensamento reverteu a favor, ou a desfavor da arte, do conhecimento e da formação cívica, ou participação democrática e grau de cidadania, na medida em que detonou e disponibilizou novas teorias e conjecturas, conceitos e enquadramentos, a que os artistas recorreram como base de sustentação estrutural e semântica para as suas obras, e ainda recorrem, independentemente dos públicos alvo ou materiais que as suportem, as divulguem ou as elejam nos rankings nominativos para o primeiro quartel deste século (e milénio).
   Paul Gaugin é um caso interessante, pois se trata de um alguém da Era Moderna que alcançou a modernidade pela revolta contra a civilização modernista, partindo para o Pacífico, para o calor e cor exuberantes, para a inocência e ingenuidade do exotismo, de cuja oposição a sua obra é a síntese óbvia e evidente, exemplo nítido de quem substituiu o amor de Deus pelo amor da Beleza, numa entrega total e missionária à arte, despojando-se assim de tudo quanto lhe era alheio, como as condicionantes familiares, económicas, religiosas e consumistas, que poderiam sustentá-la (ou absorvê-la).
   Como dizia Pablo Picasso (Ensaio VIII), "todos sabemos que a arte não é verdade", "é uma ficção que nos permite reconhecer a verdade – pelo menos a verdade como se apresenta à nossa compreensão." E isso comportou a inteireza da subjectividade relativamente acentuada da arte moderna: conforme o artista entendia o mundo, e a vida, assim os representava. Apetrechado de todos os conhecimentos teóricos e científicos da primeira metade do século passado, como bagagem de recurso, enfrentava a vida e extraía dela a sua sobrevivência, bem como a sua maneira muito peculiar de a redefinir. Simbolismo, cubismo, surrealismo, naturalismo, integralismo, expressionismo, impressionismo, neo-realismo, foram tão-só alguns exemplos dessa maneira de representação e dessa visão da vida, digamos filosofia, que por tantos outros personagens e interpretes dela se realizou, e nelas se acorrentaram, dos quais Paul Gaugin, Pablo Picasso, Paul Klee, Paul Nash, Henry Moore, Bem Nicholson, etc.
  Para fechar a postagem consideramos então Herbert Read um filósofo modernista, uma vez que está vocacionado, motivado, para apresentar uma visão da totalidade real fundamentada em "colagens" das diferentes disciplinas sociais e humanas da época, nomeadamente sociologia, antropologia, semiótica, literatura, economia, fisiologia, política, artes plásticas, por exemplo, e sem, com especificidade, em nenhuma delas se basear profundamente para analisar o produto artístico, detendo-se sobremaneira na sua interpretação.

Recomendo também acesso ao Blog: http://www.escribalistas.blogspot.com/

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas tem inscrições abertas


Tema central da segunda edição do evento será o marco regulatório dos meios de comunicação.

Acontece entre os dias 17 e 19 de junho, em Brasília, a segunda edição do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Em iniciativa do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, o evento pretende reunir blogueiros e ativistas das redes sociais de todo o país que buscam trocar experiências sobre a nova ordem na comunicação. O principal foco dos debates será o marco regulatório da mídia e a democratização do setor, mas outros temas relevantes como o Plano Nacional de Banda Larga também merecerão atenção especial.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no site do Barão de Itararé ou pelo e-mail contato@baraodeitarare.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . A taxa de inscrição é de R$ 60 e estudantes pagam R$ 20. Para esta edição, a comissão organizadora também decidiu abrir espaço para mesas auto-gestionadas. Os interessados devem apresentar propostas e serão responsáveis por organizar a atividade. As propostas de temas e nomes também devem ser enviadas para o mesmo e-mail da inscrição.

Segundo a organização, há grande possibilidade da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já manifestou seu interesse na participação a alguns blogueiros. Fora a ilustre presença, a programação também está definida:

17 de junho, sexta-feira, às 19 horas
- Palestra do ministro Paulo Bernardo sobre os desafios da comunicação na atualidade.

17 de junho, 21 horas
- Festa de confraternização;

18 de junho, sábado, 9 horas
Debate: “A urgência do marco regulatório das comunicações”
- Fábio Konder Comparato – jurista, autor da ação na justiça (ADO) pela regulação da mídia;
- Luiza Erundina – deputada, coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão;
- Venício Lima – professor, autor do livro recém-lançado “Regulação das comunicações”;

18 de junho, às 14 horas
- Mesas auto-gestionadas
(Propostas já apresentadas: os partidos e a luta pela democratização da mídia; as mulheres na blogosfera; o sindicalismo na era digital; a luta pela liberdade na rede; arte e humor na blogosfera; o papel das lan-houses);

18 de junho, às 18 horas
“O papel da internet nas revoltas no mundo árabe”
- Almed Bahgat, um dos principais blogueiros de Egito;

19 de junho, às 9 horas
- Reunião em grupo – troca de experiências, balanço do último período e plano de ação da blogosfera;

19 de junho, às 14 horas
- Plenária final – aprovação do documento do 2º Encontro, plano de ação e organização e eleição da nova comissão nacional organizadora.
 

  

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lei Cultura Viva: o momento é agora!

Os desafios para um país avançar e criar um outro ciclo de desenvolvimento passa sem dúvida por um diálogo maior entre o estado e a sociedade, podendo criar novas experiências que geram protagonismo para solução de velhos problemas. As políticas públicas sem dúvida representaram isso nesse último período, a possibilidade de o povo participar de uma série de conferências e poder discutir problemas e apontar soluções trouxeram uma nova perspectiva para um país ainda em formação.

Nesse sentido as políticas culturais passam por novos desafios desde 2005 com o Programa Cultura Viva, que visa atuar nas áreas de arte, cultura, educação e cidadania, redescobriu um novo Brasil. Potencialidades, criatividade, solidariedade, empoderamento e protagonismo, foram sinônimos de uma iniciativa criada pelo Ministério da Cultura, que reconheceu e potencializou iniciativas com o envolvimento de mais de 8 milhões de brasileiros e interligou cerca de 4 mil organizações culturais formando assim uma grande teia de pontos de cultura através do Programa, segundo os dados do IPEA/2010.

Essa idéia permitiu, segundo pensamentos marxistas, colocar os meios de produção nas mãos de quem produz. Foram muitos os editais: Ponto de Cultura, Pontão de Cultura, Agente Escola Viva, Pontos de Leitura, Mídia Livre, Cultura Digital, entre outros, que permitiram que comunidades e mais comunidades pudessem realizar suas ações artísticas e culturais.
Um desses projetos é bastante conhecido entre nós, que são os CUCAs da UNE – Centros Universitários de Cultura e Arte, pontos de cultura que atuam na articulação e potencialização das produções culturais e artísticas nas universidades Brasil a fora e que fazem parte do Conselho Nacional de Pontos de Cultura nas cadeiras de Juventude e Estudante, e que ajudam a construir essas políticas públicas que estão dando certo.

Nesse caminho, o Programa Cultura Viva, pensado pelo então secretário de Cidadania Cultural e historiador Célio Turino e implementado na gestão de Gilberto Gil como ministro, passa por um novo desafio que é assegurar a continuidade de um política cultural permanente no país através do Projeto de Lei 757/2011, que hoje passa por uma consulta pública até o dia 20 de maio.

Esse PL foi encaminhado através da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) que hoje preside a Frente Parlamentar Mista de Cultura e Educação, na qual seu colegiado reúne mais de 250 congressistas e que já chegou inovando ao indicar coordenadores estaduais e do Distrito Federal para colaborar ativamente no levantamento de demandas e na mobilização dos atores culturais locais para auxiliar o conselho executivo na condução de propostas a serem apreciadas pelo grupo.

A aprovação desse projeto pode cumprir o que foi discutido na Convenção Mundial da Diversidade Cultural da UNESCO e a determinação do artigo 215 da Constituição Federal que diz: “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso as fontes de cultura nacional, e apoiará e incentivará a difusão das manifestações culturais”. 

Para tanto se faz necessário muita unidade de ação nesse momento, e o Conselho Nacional dos Pontos de Cultura convocou uma mobilização nacional para o dia 25 de Maio em Brasília para que se possa fazer uma grande passeata da cultura e conseguir uma audiência publica que garanta que o PL seja encaminhado imediatamente.

Segundo as palavras do próprio Célio: “Lei Cultura Viva: o momento é agora! Ela não poderia ter surgido antes. Foi necessário primeiro experimentar, primeiro fazer, para ver qual o tamanho do nosso corpo. E agora essa Lei vai funcionar como se um alfaiate viesse olhar o corpo brasileiro, a sua necessidade de cultura e fazer uma roupa adequada as suas necessidades e não um armadura como uma serie de Leis que vêm impostas de cima pra baixo”.

Agora é arregaçar as mangas e fazer com que essa seja uma possibilidade para pavimentar uma nova estrada para quem pensa e produz cultura no Brasil.


Rafael Buda é membro do Coletivo de Cultura da UJS e  Coordenador de Articulação e Mobilização Social – CUCA da UNE 

OBS.: As imagens foram adaptadas como forma de intervenção filosófica, a fonte é: www.ujs.org.br

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Charges da grande Mafalda

Para começar: levianas as de hoje!
AGORA O DEBATE CONTEMPORÂNEO: Violência nas escolas, e ausência de filosofia nelas (claro):

Por fim, o postador fala sobre o Blog Secundas Filosofando após ver alguns comentários de pessoas com renome sobre este espaço:


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sexta-feira, 15 de abril de 2011

NO NOS HAN VENCIDO!!!

PERÓN VIVE! E A LUTA PELA LIBERTAÇÃO DA AMÉRICA LATINA DAS "DITADURAS MAQUIADAS", CHEIAS DE VÍCIOS DAS "MILITARES" CONTINUA!!! Vale muito a pena conferir:


Juan Domingo Perón (Lobos, 8 de outubro de 1895 - Buenos Aires, tomba em 1 de julho de 1974), foi militar e Presidente da Argentina apoiado pela Igreja Católica, pelo Exército Argentino e pelo Movimento Sindical, e baseava-se num forte nacionalismo, centralizado no poder do Estado. Exercia forte controle com repressão aos críticos de seu regime, dadas condições históricas enfrentadas pelo paús "hermano".

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quinta-feira, 31 de março de 2011

ALÔ COMUNIDADE! Tem nova e a velha PROMOÇÃO no ar!!!


Ainda estamos aguardando a chegada no endereço eletrônico ubesfilosofando@gmail.com" do vencedor das nossas duas primeiras promoções. MAS AGORA IREMOS AMPLIAR O PRÊMIO, POIS O PIERRÔ (OU PIERROT COMO QUISER) CHOROU E QUEM JÁ CANTOU "MAMÃE EU QUERO", VAI MAMAR POR ELE:
OU SEJA, ALÉM DE DVD, CD E CAMISA DE UMA ESCOLA DE SAMBA PAULISTAOU BLOCO CARNAVALESCO. AGORA, QUEM VAI TAMBÉM O MESMO "KIT BLOG FOLIA", MAS DE UMA AGREMIAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. 

E ATENÇÃO, ALÉM DE ESTAR MAIS FÁCIL PARA GANHAR VOCÊ PODE GANHAR OUTRO DVD:
Imagens da gravação com participação de Zeca Pagodinho e Marisa Monte
 QUEM NÃO ESCOLHER A MINHA ESCOLA CARIOCA, MAIOR CAMPEÃ DO CARNAVAL (21 VEZES), VAI LEVAR AINDA O DVD DA VELHA GUARDA MAIS LEMBRADA DESTE PAÍS, O QUE É UMA GRANDE INJUSTIÇA COM TODOS OS GRANDES SAMBISTAS DAS DEMAIS ESCOLAS!!!

 
PAULO DA PORTELA VIVE!

    E fazendo justiça com as próprias mão sob um pequeno teclado, vão duas contribuições de sambistas que dispensariam apresentam apresentação se todo povo brasileiro tivesse acesso a sua cultura popular:

Filosofia" dele, claro... sambista, cantor, compositor, bandolista, violonista brasileiro que teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto", ou seja, entra a classe média e o rádio - Noel de Medeiros Rosa da Vila Isabel (1910-1937):

"O mundo me condena, e ninguém tem pena 
Falando sempre mal do meu nome 
Deixando de saber se eu vou morrer de sede 
Ou se vou morrer de fome 
Mas a filosofia hoje me auxilia 
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga 
Que a sociedade é minha inimiga 
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia 
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia"
Por fim... Antônio Candeia Filho (com o pandeira na foto) filho de sambista, o menino Candeia até poderia guardar mágoa do samba. Em seus aniversários, ele contava com certa tristeza, não havia bolo, velinha, essas coisas de criança. A festa era mesmo com feijoada, limão e muito partido-alto. No Natal, a situação se repetia. Seu pai, tipógrafo e flautista, foi, segundo alguns, o criador das Comissões de Frente das escolas de samba. Passava os domingos cantando com os amigos debaixo das amendoeiras do bairro de Oswaldo Cruz. 
Fundou a Escola de Samba Quilombos que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo.
E quem ficou com gostinho na boca confere mais nos links que deixarei abaixo. E para fechar uma contribuição de uma companheira que já, já será apresentada... ela manda esta linda letra do mestre em questão:
"Menino, tome juízo
               escute o que vou lhe dizer
              o Brasil é um grande samba
                   que espera por você
                 podes crer, podes crer!
...

    Á juventude de hoje
dou meu conselho de vez:
quem não sabe o be-a-bá
   não pode cantar inglês
                                                  aprenda o português!"
 A pessoa há qual devo um "muito obrigado" por colaborar com a postagem, é Ana Letícia de Oliveira, Vice-Pres. da UBES!

Mas não poderia fechar esta publicação sem antes agradecer também Maria Quitéria Turcios, a querida Kika que tem sua foto como presente de saudação final! 
                    
Algumas fontes: http://www.coisadaantiga.blogspot.com/ e http://www.samba-choro.com.br/

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domingo, 27 de março de 2011

Charge

Enquanto isto nas aulas de Filosofia e Sociologia tem muito professsor perguntando:
"Será que estou falando grego?"

APENAS UNS COMENTÁRIOS*
Quem gostou do Blog deixa o seu!

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"o comandante." POR VIRGÍNIA BARROS


 Através de uma poesia pernambucana, oriunda de uma camarada valorosa e tão apaixonada por este quadro comunista, ícone da política e da cultura brasileira, quem quiser conhecer mais sobre Luciano Siqueira, acesse: www.lucianosiqueira.com.br 

Dentre tantas coisas que aprendi nesta vida, aprendi a me fazer aprendiz dos homens de bem que seguem na luta pelas causas justas. Meu comandante é um desses homens de traços simples que, pela sabedoria, parece pensar à frente de todos os outros. Ensinou-me que política se faz com o povo, com proposta e com poesia – um verso bem desenhado também é uma arma nas mãos da gente que sofre. Sua voz é a voz de milhares desde cedo, pois desde cedo os homens de bem começam a sentir a tragédia do povo.

Tem no currículo da vida a tortura, a fuga, a derrota, a clandestinidade, mas segue através dos dias com o sorriso amigo e o abraço apertado que só um verdadeiro revolucionário carrega mesmo diante das amarguras tantas que encontramos pelo caminho. Ensinou-me o sorriso sincero, a tranquilidade para opinar, a sabedoria para criticar, a firmeza para decidir. Ensina-me tanto mais a cada encontro longo ou ligeiro de um dia qualquer.

Luciano Siqueira, meu comandante, que me apresentou o espetáculo do povo rompendo barreiras, do povo em luta, seja nos comícios, nas passeatas, no cotidiano do mandato, na poesia e nos artigos diversos. Vive a vida de muitos homens e mulheres deste país e é exemplo para a juventude que sonha em abraçar o desafio de um mundo sem opressões. Este espetáculo, camarada, jamais se apagará da minha memória.






Virgínia Barros é Presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP-  Cândido Pinto) e Diretora da UNE.

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A luta de Saramago contra a cegueira religiosa


Além deste belo artigo extraído do Portal da Esquerda bem informada, recomendamos acesso ao belo blog, que assim como o nosso começou arduamente e hoje tem mais de 500 acessos diários de todo mundo: 

http://diversidade-religiosa.blogspot.com/

 Aqui antes do texto proposto, a frase no título deste belo espaço de luta por liberdade religiosa, mas antes também um comentário, desconhecem a luta pela legalidade da diversidade de crença no Brasil aqueles que denunciam os materialistas dialéticos, pois foi então parlamentar comunista, escritor Jorge Amado que implementou o Projeto de Lei que trata do assunto. Assim como o baiano, o camarada responsável pelo "BLOG DIVERSIDADE-RELIGIOSA", trás consigo a energia das religiões oriundas da nossa Mãe África! E o mesmo reproduz:


"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." Platão

"A publicação, em 1991, do romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, provocou escândalo em Portugal e em várias outras nações onde a Igreja Católica tinha uma posição proeminente.

Por José Carlos Ruy

O romance, que ajudou a consolidar o prestígio do escritor português e a difundir sua obra, foi visto, no melhor espírito medieval, como herético, cuja publicação deveria ter sido proibida, como defendiam muitos religiosos eminentes.

Por uma razão muito simples: pôs o dedo na ferida do preconceito e da hipocrisia dos religiosos. Era obra de autor comunista. Saramago era militante do Partido Comunista Português, foi destacado jornalista na imprensa partidária e defendia uma solução revolucionária e socialista para a crise aberta em Portugal depois da Revolução dos Cravos, de 1975. Mas esta é parte da explicação para a reação negativa. A outra, e principal, pode ser localizada no explícito e militante ateísmo do escritor. O romance humaniza a figura de Jesus Cristo e reescreve sua “biografia” de um ponto de vista profundamente crítico à religião baseada no martírio, no sofrimento e no culto da morte.

Em 1991 Sousa Lara, o Sub-Secretário de Estado adjunto da Cultura de Portugal, membro do governo dirigido pela direita, retirou O Evangelho Segundo Jesus Cristo da lista oficial das obras portuguesas que concorreriam a um prêmio literário europeu, alegando que ele atentava “contra a moral cristã". Em protesto, Saramago mudou-se para a ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha, onde viveu seus últimos anos.

O arcebispo da cidade portuguesa de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, em maio de 1992 acusou Saramago de ser ateu confesso e comunista impenitente que, por isso, não podia ter escrito O Evangelho Segundo Jesus Cristo: “a apregoada beleza literária, a existir nesta obra, longe de atenuante e muito menos dirimente, constitui circunstância agravante da culpabilidade do réu, seu autor”, disse, usando palavras que ecoam uma reação contra a liberdade de expressão que recordam um mundo superado há pelo menos dois séculos, mas cujo sentido permanece vivo na mente ultrapassada de religiosos saudosos das fogueiras da Inquisição.

A reação religiosa contra a publicação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo estava centrada numa ideia fundamental: somente a Igreja Católica pode interpretar os escritos bíblicos, tese reafirmada muitos anos depois (em abril de 2009) pelo o papa Bento XVI: "os estudiosos católicos não podem interpretar a Bíblia de uma maneira independente, nem de um ponto de vista científico ou individual".

A aversão católica contra Saramago manifestou-se inúmeras vezes. Por exemplo, quando recebeu o prêmio Nobel de Literatura, em 1998, o diário oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano condenou a premiação alegando que “Saramago é, ideologicamente, um comunista inveterado”. Mesmo a morte do escritor não amenizou a ira religiosa e, ao dar a notícia, o mesmo jornal oficial do Vaticano classificou o escritor como "populista extremista" e "ideólogo antirreligioso".

Saramago reagiu com bom humor quando comemorou, muitos anos depois (em 2009), a perda de poder da Igreja. "A mim, o que me vale, meu caro Tolentino, é que já não há fogueiras em São Domingos", disse ao teólogo católico José Tolentino de Mendonça. E, numa ocasião, propôs a inclusão de dois novos direitos na Declaração Universal dos Direitos Humanos: o direito à dissidência e à heresia, reforçando a defesa da liberdade de pensamento, consciência e religião.

José Saramago que, em outubro de 1998 tornou-se o único escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, publicou 17 romances, entre eles Levantado do Chão (1980), A Jangada de Pedra (1986), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), Ensaio Sobre a Cegueira (1995) e Caim (2009), cinco peças teatrais, quatro livros de contos, três livros de poemas, cinco livros de crônicas e dois livros de memórias.

O livro

José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo. São Paulo, Cia das Letras , 1991


Trechos 

“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”

“Dizer um anjo que não é anjo de perdões, ou nada significa, ou significa demasiado, vamos por hipótese, que é anjo das condenações, é como se exclamasse, Perdoar, eu, que ideia estúpida, eu não perdoo, castigo. Mas os anjos, por definição, tirando aqueles querubins de espada flamejante que foram postos pelo Senhor a guardar o caminho da árvore da vida para que não voltassem pelos frutos dela os nossos primeiros pais, ou os seus descendentes, que somos nós, os anjos, íamos dizendo, não são polícias, não se encarregam das sujas mas socialmente necessárias tarefas de repressão, os anjos existem para tornar-nos a vida mais fácil, amparam-nos quando vamos a cair ao poço, guiam-nos no perigoso passo da ponte sobre o precipício, puxam-nos pelo braço quando estamos quase a ser atropelados por uma quadriga sem freio ou por um automóvel sem travões. Um anjo realmente merecedor de Jesus (...)”

“Daqui a quatro anos Jesus encontrará Deus. Ao fazer esta inesperada revelação, quiçá prematura à luz das regras do bem narrar antes mencionadas, o que se pretende é tão-só bem dispor o leitor deste evangelho a deixar-se entreter com alguns vulgares episódios de vida pastoril, embora estes, adianta-se desde já para que tenha desculpa quem for tentado a passar à frente, nada de substancioso venham trazer ao principal da matéria.”

"Ora, este José de Arimateia é aquele bondoso e abastado homem que ofereceu os préstimos de um túmulo seu para nele ser depositado o corpo principal, mas a generosidade não lhe servirá de muito na hora das santificações, sequer das beatificações, pois não tem, a envolver-lhe a cabeça, mais do que o turbante com que sai à rua todos os dias, ao contrário desta mulher que aqui vemos em plano próximo, de cabelos soltos sobre o dorso curvo e dobrado, mas toucada com a glória suprema duma auréola, no seu caso recortada como um bordado doméstico. De certeza que a mulher ajoelhada se chama Maria, pois de antemão sabíamos que todas quantas aqui vieram juntar-se usam esse nome, apenas uma delas, por ser ademais Madalena, se distingue onomasticamente das outras, ora, qualquer observador, se conhecedor bastante dos factos elementares da vida, jurará, à primeira vista, que a mencionada Madalena é esta precisamente, porquanto só uma pessoa como ela, de dissoluto passado, teria ousado apresentar-se, na hora trágica, com um decote tão aberto, e um corpete de tal maneira justo que lhe faz subir e altear a redondez dos seios, razão por que, inevitavelmente, está atraindo e retendo a mirada sôfrega dos homens que passam, com grave dano das almas, assim arrastadas à perdição pelo infame corpo. É, porém, de compungida tristeza a expressão do seu rosto, e o abandono do corpo não exprime senão a dor de uma alma, é certo que escondida por carnes tentadoras, mas que é nosso dever ter em conta, falamos da alma, claro está, esta mulher poderia até estar inteiramente nua, se em tal preparo tivessem escolhido representá-la, que ainda assim haveríamos de demonstrar-lhe respeito e homenagem. Maria Madalena, se ela é, ampara, e parece que vai beijar, num gesto de compaixão intraduzível por palavras, a mão doutra mulher, esta sim, caída por terra, como desamparada de forças ou ferida de morte. O seu nome também é Maria, segunda na ordem de apresentação, mas, sem dúvida, primeiríssima na importância, se algo significa o lugar central que ocupa na região inferior da composição. Tirando o rosto lacrimoso e as mãos desfalecidas, nada se lhe alcança a ver do corpo, coberto pelas pregas múltiplas do manto e da túnica, cingida na cintura por um cordão cuja aspereza se adivinha.""

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Dilma recebe entidades estudantis após passeata com 5 mil!

A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) realizaram nesta quinta-feira (24) uma passeata em Brasília, para pedir que 10% do Produto Interno Bruto (PIB), além de 50% dos recursos do fundo social do pré-sal, sejam destinados à educação. As entidades foram recebidas pelos ministros Gilberto Carvalho e Fernando Haddad e a própria presidente Dilma Rousseff esteve na audiência com os estudantes.

 
  Cerca de 5 mil estudantes participaram do ato em Brasília nesta quinta-feira (24).
A passeata que reuniu cerca de 5 mil estudantes em Brasília é parte da Jornada de Lutas 2011 da UNE, Ubes e ANPG. Desde segunda-feira diversos debates, ocupações de universidades e atos de rua ocorrem por todo o país. A campanha também repercute na internet, sendo que esta quinat-feira (24) foi eleita para a realização de um “Twittaço” da campanha #educacaotemqueser10, mote da Jornada de Lutas deste ano, que tem na pauta o Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020.
Leia também:
Uma hora com Dilma
Após a passeata, as entidades foram recebidas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em audiência que durou cerca de uma hora. As entidades apresentaram as principais pautas em relação ao PNE, com prioridade àquelas relacionadas ao financiamento da educação. A presidente concordou com a necessidade de priorização da educação e falou da necessidade de reconhecimento profissional, valorização social e dignidade salarial dos professores. Segundo Dilma, este é um elemento basilar da ação política concreta do governo.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil
Os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Fernando Haddad (Educação) participaram da audiência da presidente Dilma com os estudantes.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, e o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, consideram simbólico o fato da presidente ter recebido as entidades após a passeata. “Foi uma demonstração de compromisso grande da relação que ela quer ter com o movimento social e em especial com o movimento estudantil”, avaliou Augusto. O presidente da UNE considera que a audiência foi importante também pelo seu conteúdo. “Apresentamos as bandeiras relativas ao PNE e a presidenta se mostrou muito favorável, por exemplo, em relação à questão do pré-sal. Ela está convencida de que a prioridade deve ser educação, disse que sempre foi simpática à bandeira e continua sendo. Dilma se disse convencida, também, de que para o Brasil melhorar deve priorizar educação”, relata.

O presidente da Ubes disse a Dilma que o Brasil precisa de uma revolução no ensino médio.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente Dilma disse ser simpática à proposta do fundo social do pré-sal priorizar a educação, mas não se comprometeu com porcentagens. 
Para ele, o desafio é a constituição de um forte sistema de educação pública, que integre esporte e cultura. “Conquistamos muito no último período, mas a Ubes não está satisfeita”, concluiu Yann.

A presidente Dilma respondeu que está convencida da importância do investimento em educação. Ela disse que o governo manterá a proposta de investimento de 7% do PIB em educação, mas deixou bem claro que a disputa será no Congresso – por medida aprovada ao final do governo Lula, a Presidência da República não poderá vetar qualquer artigo que se relacione a financiamento da educação no PNE. Dilma falou muito sobre ensino técnico também.

Mais bolsas
Durante a reunião da presidente Dilma Rousseff com os estudantes, o diretor da ANPG Thiago Custódio entregou o abaixo-assinado que a entidade organiza pelo reajuste do valor das bolsas de pesquisa e “ela anunciou de pronto mais bolsas no pais e no exterior”, conforme informação postada pelo pós-graduando no Twitter. As entidades participam de nova reunião com o ministro da educação, Fernando Haddad, às 17 horas desta quinta-feira (24).

Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, as entidades acertam ao colocar o centro da pauta na questão do financiamento, “porque ele é que possibilita investimentos na formação de professores, em mais pesquisas, no desenvolvimento de tecnologia e inovação, para a constituição de uma escola mais plural, com mais assistência, para uma formação mais aprimorada”.
Fotos: Marcello Casal Jr/ABr (a de cima) e G1 (a de baixo)
Ubes defende que "só por meio de protesto os estudantes conseguem ser ouvidos pelo governo".
PNE no Congresso
As entidades apresentam 59 emendas ao PNE, relacionadas às mais diversas pautas, embora o carro-chefe sejam as que se relacionam ao financiamento.

A presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, Fátima Bezerra (PT/RN), disse que o PNE vai exigir uma ampla discussão dentro do parlamento. “A Câmara vai se debruçar sobre o debate do PNE. Ele é fruto de uma ampla discussão no país e, por isso, não pode ser aprovado a toque de caixa.”

Para a diretora da Ubes Gabrielle D'Almeida, só por meio de protesto os estudantes conseguem ser ouvidos pelo governo. "Tem que haver algum diferencial pra que essas pautas sejam avaliadas. Por isso usamos a irreverência da juventudade", completa.

80 bilhões para o PNE

Na quarta-feira (23), o ministro da Educação, Fernando Haddad, esteve na Câmara dos Deputados e defendeu os investimentos de 7% do PIB na área, o que, segundo ele, é suficiente para cumprir as metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), de R$ 80 bilhões.

O PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá cumprir até 2020. Na terça-feira (22) foi criada na Câmara dos Deputados uma comissão especial para discutir o projeto de lei enviado pelo Executivo. Um dos pontos que deverá ser alvo de emendas é justamente o que define um percentual mínimo para investimento na área. Além dos estudantes, parlamentares e outras entidades querem que o patamar incluído no PNE seja de 10%.

Da redação, Luana Bonone, com agências
Atualizado às 16h29 para correçaõ de informação: as entidades apresentam 59 emendas ao PNE, e não 58, como anteriormente informado.

OBS.: Ótima coberta da imprensa, só não concordamos nem com o apontamento desta nota em que dizem ter tido apenas 5 mil estudantes, nem os 13 mil que a Rede Record publicou, mas este "secunda" que aqui noticia, aposta em pelo menos 10 mil nas ruas ontem em Brasília-DF. Aliás, notícias aqui somente dos movimentos sociais de menor visibilidade, pois o blog tem caráter diferenciado, para maiores informações: http://www.ubescomunica.blogspot.com/ e http://www.ubes.org.br/ 

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